Nos Estados Unidos? Agora?

Quando faltam poucos dias para o início do Mundial 2026, vamos dizer mal de Cristiano Ronaldo (prendam-me), falar demasiado sobre Donald Trump e questionar a ética da FIFA.

Nos últimos vinte anos e picos da minha vida, a regra tem sido sempre a mesma: chega esta altura de um ano par e começo a fervilhar de entusiasmo com a proximidade de um Europeu ou Mundial. É certo que, nos últimos anos, a coisa já estava mais morna. Agora, no entanto, estou outra vez em mínimos históricos – ainda não consegui decidir se é menos ou mais que aquando do Mundial 2022, mas está em níveis parecidos.

 

Para começar, a minha disponibilidade para a Seleção Portuguesa, quer externa quer interna, já não é a mesma – como se poderá concluir dos meses e meses em que não publiquei nada aqui. Ao fim de mais de vinte anos seguindo a Equipa de Todos Nós, jogos de Qualificação ou amigáveis já não despertam o mesmo interesse. O timing desde o último texto, então, tem sido particularmente mau: planos com amigos, emergências familiares ou viagens para fora do país.

 

Nesse aspeto, o Mundial não será muito melhor. É possível que ainda esteja a trabalhar à hora dos jogos com o Congo e com o Uzbequistão – já meti o pedido para sair mais cedo no dia 17, não tive lata para fazer o mesmo no dia 23, para o caso de algum colega meu ter a mesma ideia. Por outro lado, é sempre uma experiência engraçada trabalhar durante um jogo deste calibre. 

 

Duvido é que consiga escrever no blogue durante o Mundial – mesmo que fizesse muita questão. Ao contrário do que aconteceu com campeonatos anteriores como este, desta vez não tirei férias – mesmo que quisesse, não conseguiria. Além disso tenho vários planos para a altura do Mundial, nomeadamente concertos. Como poderão ler no meu outro blogue, nos últimos dois anos, concertos passaram a ser um pouco a minha cena (podem ou não ter substituído a Turma das Quinas como um dos meus interesses especiais) e nas próximas semanas vou ter muitos. Mesmo muitos.

 

Assim, quando não me faltar tempo, faltar-me-á energia. Até porque, com um Mundial no outro lado do Atlântico, poderão haver jogos de madrugada. Já vamos ter um à meia-noite e meia, o contra a Colômbia, ainda por cima. Se seguirmos em frente, olhando na diagonal para os horários do mata-mata, poderemos ter jogos à uma, duas, quatro da manhã. Possivelmente com prolongamentos e penáltis. Entre isto e os concertos, não devo conseguir dormir grande coisa e, falando por experiência, se durmo mal, escrever é mais difícil.

 

Mesmo assim, estes não seriam obstáculos graves. Pelo contrário, até poderiam dar uma certa graça, um certo romantismo, à experiência de um Mundial. Piores são os obstáculos que só trazem amargura. 

 

Em primeiro lugar: Cristiano Ronaldo. Farta dele. Já vem de trás, agravou-se nos últimos tempos. Estou sem pachorra para os debates que andamos a fazer desde, pelo menos, 2022: se Ronaldo é um fardo ou uma vantagem, se deve alinhar de início ou suplente de luxo, etc. Também me tem irritado a maneira como todos lhe dão graxa. Eu juro: um panda vermelho bebé morre de cada vez que um dos colegas dele na Seleção diz que quer ganhar o Mundial pelo Ronaldo.

 

Malta. Não façam isso a vocês mesmos. Não se desvalorizem. Logo vocês, uma das gerações mais talentosas que alguma vez tivemos. Os vossos sonhos, as vossas ambições, contam. Nós não devemos nada a Ronaldo – não nesse sentido. Esta é uma relação simbiótica – e, acreditem, Ronaldo não faz nem nunca fez nada que não seja para benefício próprio. 

 

O que nos leva a novembro do ano passado, à última dupla jornada da Qualificação, altura em que cheguei ao meu limite com ele. Começou durante o jogo fora, com a Irlanda. Resolveu armar-se em parvo, foi expulso e acabámos por perder esse jogo.

 

Não que o resultado em si tenha sido muito grave. Historicamente era um terreno difícil para nós, que não ganhamos lá há trinta anos. A Qualificação resolveu-se no jogo seguinte – se não complicássemos um Apuramento sem necessidade, o multiverso implodia. A Qualificação para o Euro 2024 já foi um abuso. 

 

Mas, regressando a Ronaldo, este ficou naturalmente impedido de alinhar no jogo seguinte, perante a Arménia, o último da Qualificação. Assim sendo, o madeirense optou por deixar a comitiva das Quinas. Isto caiu muito mal na opinião pública – sobretudo tendo em conta que, depois do jogo com a Arménia, a Seleção foi recebida pelo Presidente da República. Eu nessa fase ainda não me importei. Não era a primeira vez que Ronaldo fazia isto, talvez não seja a última. Se não fosse a expulsão e se Portugal tivesse selado a Qualificação na Irlanda, o jogo com a Arménia seria só para cumprir calendário e Ronaldo teria desculpa para faltar. Aliás, irritada como estava com ele, até agradeci não ter de olhar para a cara dele até ao fim daquela jornada dupla. 

 

Mas nem tivemos essa sorte, oh não. A gota de água para mim foi o que Ronaldo escolheu fazer com o inesperado (terá sido?) tempo livre: visitar Donald Trump.

 

Ronaldo já tinha manifestado admiração pelo atual presidente dos Estados Unidos um par de semanas antes, mais coisa menos coisa, em entrevista a um dos seus lambes-botas, Piers Morgan. Com esta, passou da admiração à prática. Como se não fosse suficientemente vil, Ronaldo fê-lo em representação da Arábia Saudita, acompanhado pelo príncipe desse país, infame pelas violações de direitos humanos.

 

Foi um choque para mim, mas não devia tê-lo sido. O carácter de Ronaldo já tinha ficado à vista de todos quando escolheu representar o Al Nasr, há três anos. Quando todo o mundo credível do futebol lhe fechou as portas (não com cem por cento de razão, admito-o), pormenores como integridade e respeito pelos direitos humanos foram rapidamente deixados de lado, a favor dos seus interesses pessoais. Depois de três anos lavando a imagem da Arábia Saudita, lamber o c..., perdão, as botas a Trump seria o passo lógico seguinte, suponho eu – ainda assim, é um nível de baixeza que eu não esperava. 

 

Isto tudo para dizer que nunca mais consegui ver Ronaldo da mesma forma. Esta história quebrou as últimas ilusões que tinha em relação a ele. E não me entusiasma a ideia de lidar com ele, com o seu ego, com as sua birras, durante o Mundial.

 

Até porque o amiguinho dele, Trump, será uma parte significativa deste campeonato, infelizmente. Esta será porventura a pior altura da História para se fazer um Mundial nos Estados Unidos (Sim, eu sei que a organização é partilhada com o México e com o Canadá, mas os Estados Unidos serão palco da maior parte dos jogos e muito provavelmente receberão a larga maioria do mediatismo). Basta ligarmos a televisão num qualquer canal de notícias para percebermos porquê: o país transformando-se numa ditadura aos olhos de toda a gente. O planeta inteiro virado do avesso por causa dos caprichos de um sujeito que incorpora na perfeição as piores facetas dos americanos: capitalista selvagem, imperialista, amoral, bronco, racista, misógino… pior do que isso, um violador, um pedófilo.

 

No que toca a este Mundial, de entre as várias coisas horríveis ocorrendo nos Estados Unidos e/ou provocadas por eles, preocupam-me mais as ações da Imigração. De vez em quando surgem notícias de viajantes europeus detidos por eles – ao mesmo tempo, conheço pessoas que viajaram recentemente para as Américas e não tiveram problemas. Pode ser que o mesmo aconteça agora, durante o Mundial.

 

Ainda assim, de vez em quando também saem notícias sobre as atrocidades cometidas pelo ICE – nomeadamente as duas pessoas que eles assassinaram em Minneapolis, no início do ano. Tenho medo do que poderá acontecer quando (se?) virem as ruas americanas cheias de estrangeiros, nomeadamente não-brancos. 

 

Estas são apenas algumas de várias objeções – ainda vamos falar de outras mais à frente. Perante isto tudo, a FIFA, das duas uma: ou vive no mundo da lua ou está-se nas tintas. Inventaram um prémio da paz para bajular Trump, por exemplo. O presidente Gianni Infantino foi ao ponto de orquestrar um aperto de mão entre um representante israelita e um representante da Palestina – claro que lhe saiu o tiro pela culatra. 

 

Uma vez mais, fiquei surpreendida, mas não devia ter ficado. A FIFA sempre teve uma afinidade especial por regimes ditatoriais. Os últimos dois Campeonatos do Mundo foram na Rússia e no Catar! Muito antes disso, há quase um século, o Mundial de 1934 serviu de propaganda ao regime de Mussolini. Mais de quarenta anos depois, em 1978, cumpriu a mesma função para o regime de Jorge Videla, na Argentina. Segundo este artigo, decorriam sessões de tortura a dez minutos a pé de um dos estádios. Alegadamente, tanto prisioneiros como carcereiros iam celebrando os golos da Argentina mesmo durante as torturas.

 

Quando a História ainda é pior que o universo d’Os Jogos da Fome.

 

Infelizmente, tudo indica que isto é conveniente para a FIFA, se não for intencional. Segundo este vídeo de John Oliver, em 2013, um antigo secretário-geral da FIFA admitiu com todas as letras que “menos democracia facilita a organização de um Mundial”. Eu morri um bocadinho quando ouvi essa pela primeira vez, mas compreendo a lógica. Deve dar jeito à FIFA não ter de esperar pelas decisões de um parlamento ou equivalente. Ainda mais jeito lhes deve dar ter um tirano ansioso por uma oportunidade de lavar a imagem do seu governo e/ou do seu país.

 

Tudo isto é demasiado real, caro leitor. O futebol costumava ser um dos meus escapes, sobretudo quando era mais nova. Agora vejo-me obrigada a aceitar que nunca esteve desligado da política, de tudo o que se passa fora das quatro linhas – por muito que eu, a maior parte dos adeptos, imagino, e em particular os dirigentes desejassem o contrário. Há um par de décadas talvez fosse possível mantermo-nos neutros, deixarmos a política de fora. Agora não dá. Vivemos em tempos em que quem cala, consente, em que neutralidade é conivência. Veja-se a Eurovisão , cujos esforços em “manter a neutralidade” levam a que mantenham Israel na competição e a que censurem todos os protestos contra o que está a acontecer em Gaza.

 

Para ser justa, as asneiras dos Estados Unidos têm sido tantas que nem o Mundial será suficiente para que o resto do planeta enterre a cabeça na areia e mude de opinião em relação a Trump. Até porque consta que o entusiasmo dos americanos para o Mundial está também em mínimos históricos – talvez por estes não gostarem assim tanto de futebol, talvez por algo de que falaremos já a seguir.

 

Infelizmente, não acho que isto seja suficiente para impedir Trump de fazer das suas. Um dos meus receios é que Portugal ganhe o Mundial e ele se cole aos nossos festejos, tal como aconteceu no ano passado quando o Chelsea ganhou o Mundial de Clubes. O Ronaldo era menino para puxá-lo para um abraço naquele momento – *pausa para vomitar*. Espero que um dos outros jogadores lhe pregue uma rasteira acidentalmente de propósito que alguém da Federação Portuguesa ou da FIFA tenha a decência de afastá-lo do nosso momento.

 

Mas haverá sequer alguém decente na FIFA? Porque temos de falar sobre a chulice. Só hoje é que tivemos a confirmação de que os jogos serão transmitidos em sinal aberto – suponho que tenha sido por causa dos preços exigidos pela FIFA. Cheguei a asustar-me. Não que não houvessem alternativas legais gratuitas. Diz que haverá um canal de YouTube a transmitir os jogos – um no qual Cristiano Ronaldo já investiu, porque claro que investiu. Sempre seria melhor que piratear – algo que, nesta fase, com todas as paywalls que inventam, há muito que deixou de ser moralmente errado.

 

A maior chulice, no entanto, ocorrerá localmente. Os bilhetes para os jogos em si estão em valores astronómicos. Aliás, a própria FIFA criou uma plataforma para a revenda dos bilhetes – a FIFA apoiando oficialmente a especulação, desde que possa lucrar com isso. E enquanto isso os trabalhadores do estádio SoFi, em Los Angeles, ameaçam entrar em greve. A FIFA enchendo os bolsos enquanto estes funcionários são mal pagos e nem sequer estão protegidos dos agentes do ICE. 

 

A roubalheira não fica por aqui. Tem havido polémica na Internet em torno do estádio MetLife, na Nova Jérsia, onde se vai realizar a final. Os transportes públicos são caríssimos. Diz que os bilhetes de ida-e-volta de comboio estão a noventa e oito dólares (quando, em circunstâncias normais, custam pouco menos de treze dólares). Estavam também a vender bilhetes de ida-e-volta de autocarro a oitenta dólares, mas lá se conseguiu baixar para vinte. Consta, também, que os lugares de estacionamento nos estádios custarão qualquer coisa como duzentos e cinquenta a trezentos dólares (Deus Nosso Senhor…).

 

Adeptos não-americanos estão a pensar em pura e simplesmente ir a pé para o estádio. Afinal de contas, faz parte da tradição destes campeonatos, claques marchando para os estádios, entoando cânticos. Os americanos, no entanto, têm avisado (alguns com insultos à mistura) que não é possível ir a pé até ao MetLife. Conforme referem neste vídeo, quase não há caminhos pedestres, aquilo está rodeado de pântanos onde são despejados resíduos industriais e do equivalente às nossas auto-estradas – e nos Estados Unidos “jay walkingé considerado crime.

 

Outra preocupação tem sido o calor que se irá sentir nalgumas das cidades… e a FIFA já veio dizer que não permitirá a entrada de garrafas de água, sejam de que forma for. Se os adeptos precisarem de beber água, terão de comprá-la dentro dos estádios – por preços exorbitantes, aposto. Faz-me pensar na rapariga que morreu há uns anos num concerto da Taylor Swift, e fico com medo de tragédias deste género durante o Mundial. 

  

Suponho que é isto que acontece quando a ganância da FIFA se instala num país onde as pessoas abrem falência após hospitalizações. Consta, aliás, que o entusiasmo entre os americanos em relação ao Mundial também se encontra em mínimos históricos – precisamente porque o adepto comum não tem bolsa para tanta roubalheira. Há quem diga que o Mundial será um fracasso… mas já se fala melhor sobre isso.

 

Vai ser sempre assim, agora? Todos os Mundiais serão uma distopia, virão com um dilema moral? O que vale é que, pelo menos por enquanto, eles só vêm de quatro em quatro anos. Depos desta, o Europeu de 2028 realiza-se no Reino Unido e na República da Irlanda (tenho algumas perguntas, tendo em conta a História conjunta destes anfitriões. Tirando isso…) e o Mundial 2030 realizar-se-á em… *consulta notas*  Espanha, Marrocos e… Portugal. Nós. Na verdade, a Argentina, o Paraguai e o Uruguai serão anfitriões parciais – os jogos inaugurais destas três decorrerão em casa, em honra do centenário do Campeonato do Mundo.

 

Tudo muito bonito, um Mundial em três continentes diferentes, mas estou para ver como será a logística daquilo. Por outro lado, não sei se algum dos seis países assumirá o papel de anfitrião principal. Por outras palavras, não sei se será uma oportunidade assim tão boa para fazer lavagem desportiva. Talvez Marrocos tente, mas não estou a ver Espanha a aceitar ter menos protagonismo do que eles.

 

Preocupa-me um pouco mais saber como irá Portugal lidar com a chulice da FIFA – até porque a tendência parece ser as cidades-anfitrião ficarem com a despesa toda e a FIFA ficar com o lucro todo. Ainda falta muito tempo, a Comunicação Social ainda nem fala sobre isso. Gostava de ver pelo menos um jogo de Portugal, desde que não seja demasiado caro. Se ainda viver onde vivo hoje – ou tiver família a viver na zona – consigo ir a pé até ao Estádio de Alvalade ou ao Estádio da Luz. A FIFA não me rouba no estacionamento ou nos transportes!

 

E depois dessa? O Mundial 2034 vai ser na Arábia Saudita porque claro que vai. Ainda não se conhece o anfitrião, ou anfitriões, do Mundial 2038. Pelo andar da carruagem, será Israel ou a Coreia do Norte. Nessa altura, já terei desistido. 

 

Dito isto tudo… também existiam muitas coisas erradas com o Mundial 2022 e, na minha opinião, acabou por ser um bom Mundial. Na altura diverti-me – mesmo só acompanhando os resultados, muitas vezes. Irá o mesmo acontecer agora? Como disse acima, há quem preveja que o Mundial seja um fracasso, pelos motivos que listámos assim – e também, penso eu, porque os americanos não gostam assim tanto de futebol. Uma parte de mim deseja que isso aconteça, só mesmo para obrigar a FIFA a mudar de direção. 

 

Por outro lado… quero que corra bem. Quero divertir-me, mesmo que Portugal não ganhe. A vida já é tão difíci, deixem que aconteça uma coisa boa.

 

Tentando prever o nosso desempenho no Mundial, estamos outra vez numa situação em que nos apontam como favoritos – com destaque para o facto de este ser o último Mundial de Ronaldo e de como este é o título que falta ao madeirense ou algo do género. Há quem diga mesmo que a FIFA puxará cordelinhos para que seja Ronaldo a levantar a Taça… e eu confesso que não sei como me sinto em relação a isso. 

 

Eu aprecio o otimismo e quero acreditar. Já não é a primeira vez que digo que estamos numa das melhores gerações em termos de talento puro e duro. No entanto, tirando a Liga das Nações no ano passado, não temos sido capazes de corresponder. O nosso desempenho no Euro 2024 foi dolorosamente mediano – algo que todos aqueles YouTubers parecem ter esquecido. Ou então viram apenas os resultados, não os desempenhos. E historicamente, Portugal costuma sair-se melhor em Europeus do que em Mundiais.

 

Quem nos garante que não vamos continuar no mesmo ciclo vicioso de exibições sofríveis, conforme referi nos meus últimos textos?

 

Mas vocês sabem como sou. Nunca deixo de acreditar, nem que seja só um bocadinho. Não consigo. E, se acima me queixei de ouvir os Marmanjos dizendo que querem ganhar pelo Ronaldo, gosto muito mais de ouvi-los dizendo que querem ganhar pelo Diogo Jota. Ele que era uma ótima pessoa, merecia estar cá, a lutar pelo Mundial. Não me importo nada que isso sirva de motivação, até aplaudo. A vitória no Mundial como tributo.

 

Por outro lado, posso já não estar tão ao corrente do futebol atual, mas não deixei de reparar nas interações entre os Marmanjos nas redes sociais. Nomeadamente quando Bernardo Silva e Vitinha se tornaram embaixadores de marcas de cosméticos e os colegas da Seleção foram implacáveis nos comentários. “Tu nem pasta de dentes usas!”. “Nunca usaste um champô na vida”

 

Sei que o ambiente na Seleção nem sempre foi assim, mas tem sido assim desde que a acompanho. É por estas e por outras que não consigo quebrar o elo. Vou sempre torcer por eles, desejar que ganhem.

 

Tenho de confessar: regressar aqui ao blogue, pesquisar, reler textos antigos, escrever este, ajudou o entusiasmo a regressar. E no outro dia, que me pus a ouvir Fernando Santos recordando o Euro 2016, pela 432ª vez? Eu quase tive uma experiência extra corporal, extra temporal – e fiquei desperada por mais recordações como aquelas, mais vitórias. 

 

Mesmo sem essa parte, mesmo que não tenha tanto tempo como antes, tenciono acompanhar este Mundial da mesma forma. Nem que seja só pela rama, só através de resumos, programas de análise, vídeos do YouTube.

 

E se quisermos alimentar ilusões… estou de férias na semana a seguir à final. Vou fazer por deixar essa segunda-feira livre, ficar por Lisboa. Só para o caso de haverem motivos para festejar. 

 

Entretanto, já saíram os Convocados. Polémicos como o costume, mas isso é uma de muitas coisas que já não merecem o meu tempo. À hora desta publicação estará a decorrer o particular com o Chile. Na próxima quarta-feira, teremos outro, com a Nigéria. E dia 17 começará oficialmente a nossa jornada nas Américas. 

 

Como disse acima, é pouco provável que consiga escrever durante o Mundial. Estou a contar fazê-lo depois – deixando as minhas impressões sobre o campeonato e, sobretudo, sobre o desempenho de Portugal. De qualquer forma, farei por manter a página de Facebook com tudo o que for acontecendo e as minhas opiniões sobre isso. 

 

Obrigada pela vossa visita. Força Portugal!

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